Fé oculta à plena vista.
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Khada* nasceu em uma família profundamente religiosa no Afeganistão. Ao crescer, estava consciente da pressão para ser vista como parte de uma boa família muçulmana, o que significava uma vida centrada na mesquita da comunidade.
Seu avô era um homem que respeitava o líder religioso islâmico local e queria que sua família fosse considerada piedosa.
Todos os dias, fazia os filhos chegarem antes de qualquer um nas orações da manhã. Essa participação na mesquita foi notada. A mãe de Khada, temendo o sogro, orava em casa.
A família era respeitada por sua religiosidade e era tida com alta estima por outros motivos, pois o pai dela tinha um cargo oficial que dava a ele uma posição respeitada na comunidade.
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Ao ficar um pouco mais velha, como outras jovens no Afeganistão, ficou noiva. A família arranjou para ela se casar com um primo, o que acabou se tornando uma união feliz.
Khada deixou a casa de sua família e se mudou para a da família do seu marido, uma prática comum no Afeganistão. “Nossa relação era muito boa. Todos na família do meu marido me amavam, principalmente ele.”
Ela trabalhava em um escritório e a personalidade dela a tornou popular com os colegas, desenvolvendo uma amizade próxima principalmente com sua chefe.
“Nos tornamos amigas e tínhamos liberdade uma com a outra, compartilhando histórias das nossas vidas”, disse.
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Conforme a amizade se aprofundava, a confiança crescia, o que levou sua chefe a correr um grande risco que mudaria a vida de Khada. “Certo dia, ela me deu um livro sem me falar nada. Era uma Bíblia”, relembra.
Khada colocou a Bíblia na bolsa e a levou para casa para mostrar ao marido. Ambos tinham estudado o Alcorão e estavam curiosos sobre o que a Bíblia dizia. Durante seis meses, leram o Antigo e o Novo Testamento juntos e ficaram maravilhados com o que descobriram.
“Quando comecei a ler o livro com meu marido, muitas perguntas vieram à nossa mente. Nós as solucionamos juntos. Ele me amava muito, então me disse: ‘Independentemente do caminho que tomar, sou seu companheiro e seguirei você’”, disse Khada.
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Compartilhando a fé

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Após muita leitura e conversa, eles decidiram entregar a vida para Jesus e foram batizados, momento em que Khada recebeu cura física e espiritual: “A partir daquele dia, a dor de cabeça que tinha desapareceu e eu estou completamente bem agora”.
A jornada de fé do casal começou a gerar frutos. Seguir a Jesus os encheu de tal alegria que queriam falar aos outros sobre o novo relacionamento com Deus.
O irmão de Khada foi o primeiro para quem ela falou de Jesus. “Ele estava ansioso por estar desempregado. Eu lhe dei a tarefa de aprender histórias do Antigo Testamento e ele acreditou. Depois compartilhei histórias com minha família e todos se tornaram cristãos.
Meu marido compartilhou histórias com sua irmã e ela também se tornou cristã. Assim, continuamos espalhando nossa fé”, contou.
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As coisas pareciam estar bem e, apesar dos riscos naturais de seguir a Jesus no Afeganistão, a vida de Khada era em sua maioria feliz. Mas, uma noite, tudo mudou. “Meu marido desapareceu após visitar um grupo de estudos.
Quando o telefone dele não tocava, primeiro pensei que estivesse fora de área, por isso o telefone não funcionava. Também liguei para algumas pessoas da família e não havia notícias dele. Fiquei com medo e tive todo tipo de pensamento”, relembra.
Conforme a noite chegou, o pavor de Khada aumentou. E logo ela descobriria que seus piores temores se concretizariam. “Após dois dias, ele foi encontrado morto, com sinais de tortura.
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Foi uma experiência tão traumática que entrei em coma. Quando retomei a consciência, estava em casa e o corpo do meu marido foi levado para ser enterrado”, disse.
Desafios sob o regime talibã

Até hoje, Khada não tem respostas de por que ele foi levado ou de quem o matou, o que provavelmente nunca saberá. Ela relembra como a antiga chefe, que a apresentou a Jesus, a abordou e assegurou que o marido dela agora estava com Cristo.
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Khada disse que encontrou força e conforto nas Escrituras. “Eu parei de chorar, li Efésios, capítulo seis, e fiz um voto de seguir no caminho de Cristo.”
Os momentos mais difíceis são as noites. Normalmente, quando os filhos dormiam, ela conversava com o marido e liam a Bíblia juntos. Esse tempo acabou, mas a fé de Khada não diminuiu.
Mesmo que seu marido tenha partido, Khada conversa com Jesus e seu relacionamento com ele fica cada vez mais forte. “No passado, todas as minhas histórias e conversas eram com meu marido. Agora, todas são com Jesus. Eu acredito que ele ouve todas as minhas orações”, conta.
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Quando o Talibã assumiu o controle do Afeganistão, a vida se tornou muito difícil para as mulheres. A maioria é proibida de trabalhar fora de casa e as que se aventuram devem estar acompanhadas de um homem como guardião.
“Eu continuo sendo serva de Cristo, seguindo seu exemplo de humildade e grandeza. Enfrentamos desafios no regime do Talibã, mas com uma fé forte, perseveramos”, compartilhou.
Cristãos no Afeganistão, apesar de poucos em número, seguem o chamado que receberam de Deus. Não é seguro nem fácil, mas eles têm fé para completar o trabalho que Deus preparou.
“Se perdermos nossa vida, estaremos orgulhosos de nós mesmos. Peço orações pelo Afeganistão e pelos não cristãos, para acreditarem em Cristo.
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Quando escolhemos o caminho de Cristo, sabemos que ele tem suas próprias dificuldades, mas com esperança e uma promessa feita entre nós, continuamos a jornada. Esperamos que um dia tudo fique bem e tenhamos um Afeganistão completamente cristão.
Eu sempre lembro dessa lição, o Afeganistão deve mudar porque é o que acontecerá se tivermos uma fé firmada em Jesus Cristo”, explica.
Bíblias para cristãos secretos
A Portas Abertas ajuda cristãos secretos ao redor do mundo a entender a esperança e as promessas da palavra de Deus. Uma doação garante Bíblias para cristãos afegãos, para que conheçam mais a Deus e tenham a fé fortalecida por meio das Escrituras.
*Nome alterado por segurança.
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As informações são do Pioiritiais aibieiritiais.
Edição Geral: CN.
Publicação
CN - Conexão Notícia - www.cnoticia.com.br.
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